Airbnb vs Booking.com para Anfitriões de Alojamento Local em Portugal (2026)
Resposta rápida: a partir de 2026, a diferença de taxas entre as duas plataformas praticamente desapareceu. A Airbnb está a migrar todos os anfitriões restantes para uma taxa única de 15,5% paga pelo anfitrião — 13 de outubro de 2026 para anfitriões no EEE, incluindo Portugal — que é sensivelmente o patamar onde a Booking.com sempre esteve. Portanto, a decisão já não se prende com a comissão. Trata-se do comportamento dos hóspedes, do risco de cancelamento e de quem acaba por cobrar a taxa turística. A maioria dos anfitriões portugueses utiliza ambas as plataformas. As suas obrigações de conformidade de AL são idênticas em qualquer uma delas.
Sou anfitrião na Madeira e anuncio em ambas. Eis o que realmente difere em 2026 e o que não difere.
O que mudou em 2026 (e por que as comparações antigas estão erradas)
Aconteceram três coisas que tornam a maioria dos artigos sobre Airbnb vs Booking.com desatualizados:
A Airbnb acabou com a taxa partilhada. No modelo antigo, o anfitrião pagava cerca de 3% e o hóspede pagava cerca de 14–16,5% adicionais no momento do pagamento. A Airbnb está a substituir esse modelo por uma taxa única de cerca de 15,5%, deduzida integralmente do seu pagamento. Os anfitriões com ligação através de software foram migrados até abril de 2026. Todos os outros seguir-se-ão: 15 de setembro de 2026 fora do EEE, 13 de outubro de 2026 dentro do EEE e na Suíça. As reservas confirmadas antes da sua data de transição mantêm os termos sob os quais foram reservadas.
A paridade de tarifas acabou no EEE. Portugal já tinha proibido as cláusulas de paridade ampla a nível nacional, e o Regulamento dos Mercados Digitais concluiu o trabalho nos 27 Estados-membros a partir do final de 2024. Já não tem a obrigação contratual de igualar a sua tarifa da Booking.com no seu próprio website ou noutro canal. O algoritmo de posicionamento da Booking continua a premiar discretamente a paridade — mas a cláusula contratual desapareceu.
O Regulamento (UE) 2024/1028 aplica-se a partir de 20 de maio de 2026. Estado: EM VIGOR. As plataformas devem verificar o seu número de registo antes de publicar um anúncio e devem comunicar os dados de atividade mensais — noites reservadas, número de hóspedes — ao ponto de entrada digital único de cada Estado-membro. Em Portugal, esse número é o seu RNAL. Um anúncio sem um número válido pode ser removido. Isto aplica-se de forma idêntica à Airbnb e à Booking.com, o que significa que as autoridades fiscais e do turismo agora veem a sua atividade, quer a comunique quer não.
Taxas: os números de 2026
Airbnb | Booking.com | |
|---|---|---|
Modelo | Taxa única apenas para o anfitrião (obrigatória no EEE a partir de 13 de out de 2026) | Comissão apenas para o anfitrião, como sempre foi |
Taxa de referência | ~15,5% do subtotal da reserva | 10–25%, tipicamente ~15% |
Sobre o que é cobrada | Tarifa diária + taxas de limpeza, de animais de estimação e de hóspedes adicionais; não incide sobre impostos | Tarifa diária + taxas adicionadas na reserva; não incide sobre taxas municipais/turísticas |
Taxa cobrada ao hóspede | Nenhuma sob o novo modelo | Nenhuma |
Extras opcionais | — | Parceiro Preferencial ~+3%; Pagamentos por Booking.com 1,1–3,1% de processamento |
Negociável | Não | Sim, especialmente com um forte desempenho |
A consequência prática para os anfitriões portugueses: se não atualizar os preços antes de 13 de outubro, o seu rendimento líquido diminuirá em cada nova reserva da Airbnb. Aumentar a sua tarifa em cerca de 15,5% repõe sensivelmente o total pago anteriormente pelo hóspede; aumentá-la em cerca de 18,3% repõe o seu rendimento líquido anterior. A ferramenta de ajuste na aplicação da Airbnb sugere um valor intermédio.
A comissão declarada da Booking.com também subestima o custo real se aderir ao programa Genius. Um desconto Genius de 10% acumulado com uma comissão de 15% significa que fica com cerca de 76,5% da sua tarifa anunciada, e não 85%. A Booking reformulou o Genius no início de 2026 para que a visibilidade seja impulsionada por um algoritmo de relevância em vez de ser garantida pelo desconto — vale a pena verificar se o desconto que está a financiar ainda lhe traz algum retorno.
Cancelamentos: a vantagem da Airbnb diminuiu
Esta é a secção que mais envelheceu na maioria dos guias.
A Airbnb descontinuou a política de cancelamento Estrita a 1 de outubro de 2025. Os anúncios que a utilizavam foram migrados para a política Firme. Os níveis padrão são agora Flexível, Moderada, Limitada e Firme, sendo a Firme a mais rigorosa geralmente disponível: reembolso total até 30 dias antes, 50% entre 7 e 30 dias, e nada nos 7 dias que antecedem a estadia.
Além disso, existe um período de tolerância universal de 24 horas — qualquer estadia com menos de 28 noites reservada pelo menos 7 dias antes do check-in pode ser cancelada gratuitamente num prazo de 24 horas, e os anfitriões não podem desativar esta opção. A Airbnb também globalizou o programa "Reserve Já, Pague Depois" em fevereiro de 2026, permitindo aos hóspedes bloquear datas no calendário sem qualquer pagamento inicial. A Airbnb reconheceu que isto aumenta as taxas de cancelamento.
A Booking.com continua a gerar mais reservas especulativas e mais cancelamentos de última hora, e continua a ser-lhe cobrada comissão sobre não comparências, a menos que as assinale na Extranet atempadamente. Mas se estruturou a sua época alta em Portugal em torno da antiga política Estrita da Airbnb, saiba que essa proteção já não existe.
Taxa turística: a maior diferença prática
Esta questão custa dinheiro real aos anfitriões portugueses e quase ninguém escreve sobre ela de forma correta.
Nos municípios onde a Airbnb tem um acordo de cobrança — Lisboa e Porto são os exemplos mais citados — a Airbnb cobra a taxa turística municipal ao hóspede e transfere-a para a autarquia no caso de reservas feitas na plataforma. Para todos os outros canais, terá de ser o anfitrião a tratar do processo.
A Booking.com funciona de forma diferente em Portugal. Tipicamente, mostra uma linha de "taxa de cidade" ou "taxa turística" no momento do pagamento e, em seguida, transfere esse dinheiro para si juntamente com o resto do seu pagamento. Cobrado não significa entregue. A declaração e o pagamento à câmara municipal continuam a ser da sua responsabilidade. Os anfitriões que assumem que a plataforma tratou do assunto podem estar com vários trimestres em atraso sem se aperceberem.
Confirme a sua própria situação em vez de confiar num blogue: verifique o detalhe do pagamento numa reserva real de cada plataforma. Se o valor da taxa entrar na sua conta, cabe-lhe a si declará-lo.
As taxas variam muito — Lisboa a 4 € por pessoa por noite, Porto a 3 €, Funchal a 2 €, partes do Algarve a 1–2 €, a maioria com limite de 7 noites e isenções para menores de 13 anos. Consulte o guia completo da taxa turística municipal, o guia da taxa turística de Lisboa, o guia do Funchal, e como funciona a taxa turística nas diferentes plataformas.
Conformidade: idêntica em ambas as plataformas
Nenhuma das plataformas trata das suas obrigações legais em Portugal. Esta é a parte que apanha os novos anfitriões desprevenidos, e não muda independentemente da origem da reserva.
Obrigação | Prazo | Quem faz |
|---|---|---|
Registo RNAL + número visível em todos os anúncios | Antes de publicitar | O anfitrião — através do Balcão Único Eletrónico |
Boletins de alojamento SIBA/AIMA (todos os hóspedes estrangeiros, incluindo cidadãos da UE e menores) | No prazo de 3 dias úteis após o check-in | O anfitrião. As coimas variam entre 100 € e 2.000 € por hóspede não comunicado |
Inquérito mensal à permanência de hóspedes e outros alojamentos (IPHH) do INE | Mensalmente, incluindo declarações sem movimento | O anfitrião |
Fatura ou recibo através de software certificado | Por reserva | O anfitrião |
Declaração e entrega da taxa turística | De acordo com o regulamento municipal | O anfitrião, exceto onde a plataforma faça a entrega explicitamente |
Anualmente | O anfitrião |
A Airbnb não envia boletins ao SIBA. A Booking.com não envia boletins ao SIBA. Nenhuma delas submete a sua declaração ao INE. Comece por ler como registar um AL em Portugal, depois o guia SIBA/AIMA para 2026 e se os hóspedes da UE precisam de registo no SIBA — a resposta costuma surpreender as pessoas. O panorama completo está no guia legal do Alojamento Local em Portugal de 2026.
Comparação detalhada
Categoria | Airbnb | Booking.com |
|---|---|---|
Perfil da plataforma | Perfis de anfitriões e hóspedes, focada em avaliações | Transacional, herança do sector hoteleiro |
Modelo de taxas em 2026 | ~15,5% apenas para o anfitrião (EEE a partir de 13 de out de 2026) | ~15% de comissão do anfitrião, intervalo de 10–25% |
Taxa negociável | Não | Sim |
Preço final do hóspede | O seu preço, sem taxa de plataforma separada | O seu preço, com comissão integrada |
Perfil do hóspede | Geralmente mais participativo; as avaliações funcionam para ambos os lados | Mais focado no preço, expectativas ao estilo de hotel |
Troca de mensagens | Central para a reserva; os hóspedes contam com isso | Existe, mas é frequentemente ignorada |
Cancelamentos | Firme é agora o limite máximo; período de tolerância de 24h universal; "Reserve Já, Pague Depois" aumenta desistências | Maior taxa de cancelamento especulativo; comissão ainda devida em não comparências não reportadas |
Presença em Portugal | Forte, especialmente em Lisboa, Porto, Algarve e Madeira | Muito forte, particularmente em mercados europeus de viagem de carro e pacotes turísticos |
Taxa turística | Cobra e entrega em alguns municípios (Lisboa, Porto) | Tipicamente paga a si — o anfitrião faz a entrega |
Verificação do RNAL | Obrigatória sob o Regulamento UE 2024/1028 | Obrigatória sob o Regulamento UE 2024/1028 |
SIBA, INE, faturação | Não gerido | Não gerido |
Melhor adequação | Anfitriões que procuram hóspedes mais comunicativos e um fluxo de check-in controlado | Anfitriões que procuram preencher a época média/baixa e dias de semana |
Qual escolher para a sua situação
Lisboa ou Porto, uma ou duas unidades: comece pela Airbnb. O tratamento da taxa turística por si só elimina uma tarefa mensal, e a comunicação com o hóspede é mais fácil quando a gestão é feita à distância.
Algarve, sazonal: provavelmente precisará de ambas. A Booking capta o mercado europeu de deslocações de carro e a época média de uma forma que a Airbnb não consegue. Defina os preços tendo em conta o risco de cancelamento.
Madeira ou interior: a Booking costuma ter um peso superior aqui, em particular com viajantes do norte da Europa. Continua a valer a pena utilizar a Airbnb pela qualidade dos hóspedes, mas não conte com ela para garantir a sua taxa de ocupação de forma isolada.
Se acabou de abrir o seu AL: começar com apenas uma plataforma é uma decisão sensata. Aprenda o seu fluxo de check-in, a sua primeira submissão ao SIBA e o ciclo da taxa turística sem ter de gerir dois calendários. Adicione a segunda plataforma quando a rotina já for fácil.
Gerir ambas sem duplicar o trabalho administrativo
A razão pela qual os anfitriões evitam anunciar em múltiplos canais é a duplicação de dados, não os anúncios em si. Duas coisas resolvem a maior parte do problema:
Sincronize os calendários corretamente. O iCal é gratuito e funciona, mas o atraso na sincronização entre as duas plataformas é onde acontecem as reservas duplicadas — consulte como sincronizar os calendários da Airbnb e da Booking.com.
Utilize um único link de check-in para ambas. Se o hóspede preencher os seus dados uma vez, essa informação pode alimentar o seu boletim SIBA, os seus dados para o INE e o seu cálculo de taxa turística, independentemente de qual plataforma originou a reserva. Essa é a razão de ser do EazyAL — criei-o porque passava o tempo a digitar números de passaportes em três portais diferentes para reservas vindas de duas plataformas.
Perguntas Frequentes
A Airbnb ou a Booking.com é melhor para anfitriões em Portugal? Nenhuma vence de forma absoluta em 2026. As taxas são agora semelhantes, rondando os 15–15,5%. A Airbnb proporciona hóspedes mais comunicativos e, nalguns municípios, trata da taxa turística. A Booking.com oferece mais volume e uma comissão negociável. A maioria dos anfitriões portugueses estabelecidos trabalha com ambas.
Quanto cobra a Airbnb aos anfitriões em Portugal em 2026? Cerca de 15,5% do subtotal da reserva, deduzidos do seu pagamento. Portugal pertence ao EEE, pelo que a data de transição obrigatória é 13 de outubro de 2026. A taxa aplica-se ao valor da tarifa diária e às taxas de limpeza, animais de estimação e hóspedes adicionais, mas não aos impostos.
Preciso de aumentar os meus preços na Airbnb antes de outubro de 2026? Se quiser manter o mesmo rendimento líquido, sim. Aumentar a sua tarifa em cerca de 15,5% mantém o total do hóspede sensivelmente igual ao que era; cerca de 18,3% repõe o seu ganho líquido anterior. Faça as contas incluindo a taxa de limpeza, uma vez que esta também passou a fazer parte da base tributável da taxa.
Quanto cobra a Booking.com aos anfitriões? A comissão situa-se normalmente em torno dos 15%, variando entre 10% e 25% dependendo do país, tipo de propriedade e programas a que adira. O programa de Parceiro Preferencial adiciona cerca de 3%. Os Pagamentos por Booking.com adicionam 1,1–3,1% de custos de processamento. Ao contrário da Airbnb, a taxa é negociável.
A Airbnb ou a Booking.com cobram a taxa turística em Portugal? A Airbnb cobra e entrega nos municípios onde tem acordo, incluindo Lisboa e Porto. A Booking.com geralmente apresenta uma linha de taxa no pagamento e transfere-lha — o anfitrião continua responsável por declará-la e entregá-la. Verifique o detalhe de um pagamento real da sua propriedade antes de assumir qualquer cenário.
Alguma das plataformas regista os meus hóspedes no SIBA? Não. O registo de hóspedes no SIBA/AIMA é da inteira responsabilidade do anfitrião, para todos os hóspedes estrangeiros, incluindo cidadãos da UE e menores, no prazo de três dias úteis a contar do check-in. As coimas variam entre 100 € e 2.000 € por hóspede não comunicado.
Tenho de apresentar o meu número de RNAL em ambas as plataformas? Sim. É uma exigência legal portuguesa há anos e, desde 20 de maio de 2026, o Regulamento UE 2024/1028 exige que as plataformas o verifiquem antes de publicar. Um anúncio sem um número válido pode ser removido.
Posso cobrar menos no meu próprio website do que na Booking.com? Sim. Portugal proibiu as cláusulas de paridade ampla a nível nacional e o Regulamento dos Mercados Digitais eliminou tanto as cláusulas de paridade ampla como as restritas em todo o EEE. O algoritmo de posicionamento da Booking pode continuar a favorecer a paridade, mas não existe qualquer obrigação contratual.
Por que razão a Booking.com tem mais cancelamentos? Os hóspedes reservam frequentemente várias propriedades e decidem mais tarde. Note que a vantagem da Airbnb neste aspeto diminuiu em 2026: a política Estrita foi descontinuada, aplica-se um período de tolerância universal de 24 horas e a opção "Reserve Já, Pague Depois" permite que os hóspedes bloqueiem datas sem pagar nada.
Acabei de abrir o meu AL e anunciei apenas na Airbnb. Demasiado cauteloso? De forma alguma. Focar-se numa única plataforma é uma forma sensata de aprender o seu fluxo de check-in, a primeira submissão ao SIBA e o ciclo da taxa turística sem ter de gerir dois calendários. As obrigações legais de conformidade são idênticas. Adicione a Booking assim que a rotina estiver consolidada.
Qual é o maior desafio depois de começarem a surgir reservas? A vertente administrativa que lhes está associada — registo de hóspedes, comunicações mensais ao INE, entrega da taxa turística e faturação. É aí que os anfitriões perdem serões e arriscam coimas, e é a parte em que nenhuma plataforma interfere.
Última atualização: agosto de 2026. As estruturas de taxas e as políticas de cancelamento mudam frequentemente — verifique as condições atuais na sua conta Airbnb e na Extranet da Booking.com. As informações regulamentares servem apenas como orientação; confirme junto do seu município, do Turismo de Portugal ou de um consultor qualificado.
Fontes: Anúncio do Airbnb Resource Center de 7 de julho de 2026; Ajuda para Parceiros Booking.com; Regulamento (UE) 2024/1028; Relatório de conformidade da Booking.com com o Regulamento dos Mercados Digitais (DMA).

